8 de Março: reviver as lutas e organizar novas trincheiras

Esta postagem foi publicada em 8 de março de 2019
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O Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, foi oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975. Mas o seu surgimento deu-se em razão das campanhas de mulheres no início do século XX, que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e Europa,  por melhores condições de trabalho, que eram ainda piores que a dos homens à época. Então, as mobilizações de mulheres tiveram origem nos movimentos de trabalhadoras e sindicais.

Na luta por melhores condições de trabalho, as mulheres também fizeram marchas e mobilizações pelo direito de votar, de ir a escola e a universidade. Em 1910, durante uma reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, que reunia os partidos e movimentas de esquerda internacional, foi criada uma jornada de manifestações em diversos países, sendo a proposta da alemã Clara Zetkin.

Estamos no século XXI, muitas lutas foram travadas pelas mulheres, avanços foram garantidos, porém retrocessos também têm ocorrido. Vivemos em um País onde a violência contra as mulheres é extrema, onde as mulheres ainda ganham menos que os homens e são minoria na política, apesar de ser a maioria dos eleitores. E estamos diante de mais um ato que prejudicará as mulheres, a reforma da previdência proposta pelo governo federal.

A proposta de reforma da previdência, além de elevar a idade de aposentadoria, reduz a diferença entre homens e mulheres de cinco para três anos. As mulheres lutaram e lutam para entrarem no mercado de trabalho, ocupam diversos postos no serviço público e privado. O que não está sendo considerado é que elas ainda são responsáveis pelo trabalho doméstico, cuidar da casa, do marido, dos filhos e muitas vezes dos pais já idosos. Essa dupla ou tripla jornada de trabalho não é contabilizada nas estatísticas oficiais, mas são fundamentais para garantir a funcionalidade do trabalho formal.

Outro ponto, o número de mulheres trabalhando na informalidade, sem conseguir fazer a contribuição previdenciária, é alto. Com o aumento de 30 para 40 anos de contribuição para o recebimento da aposentadoria integral, novamente são elas as prejudicadas. Pode-se perguntar, porque elas teriam essa dificuldade, é simples, muitas vezes elas deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos, dos pais enfermos.

Temos que considerar ainda que as mulheres é maioria entre os desempregados e quando se desvincula do salário mínimo os Benefícios de Prestação Continuada (BPC), que é a aposentadoria para quem não consegue acumular a contribuição previdenciária, já tem idade de aposentar e estão em situação de pobreza, novamente as mulheres pagaram o preço mais alto.

A luta das mulheres é a luta de todos e nesse sentido o SISEPE-TO vem reafirmar seu compromisso pela construção de melhores condições de trabalho e uma previdência justa. De rever suas posições que não contribuem pela igualdade de gênero e por uma sociedade mais fraterna para mulheres e homens.

Cleiton Pinheiro – presidente do SISEPE-TO

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